Dani Mendes
Para nós,
brasileiros, uma boa história, aquela que contamos na salinha do café do
escritório ou no bar entre amigos deve envolver episódios muito engraçados,
estes podem estar em qualquer lugar, nas ruas, na balada, na loja da esquina ou
em um estádio de futebol.
Uma historia que
envolve futebol, comédia e um que de conto do vigário? Essa deve ser dividida
sim, com todos vocês, os curiosos leitores brasileiros.
Vou logo lhes
apresentando o personagem principal, um cara de apelido Grão, torcedor fanático
de um time tricolor paulista. Quando garoto, era louco por futebol, jogava
peladas nas ruas do bairro da periferia da zona sul onde morava, apaixonado
pelo time do Morumbi desde que seu pai o levou a um jogo maravilhoso, com alguns
craques como Careca e Muller.
Chegou aos seus 22
anos malandramente, sempre levando pequenas vantagens, de forma divertida, até
inocente e sem fazer mal a ninguém.
Era um belo domingo,
dia de jogo no Morumbi, campeonato brasileiro e Grão estava sem um tostão
furado para ir ao estádio, pegou carona nos ônibus e partiu em direção ao jogo
decisivo, iria fazer caixinha na bilheteria, os outros torcedores amigos não
deixariam um deles sem ver o jogão.
Lá estava ele
juntando trocadinhos quando viu um deficiente visual, conhecido por todos como “Ceguinho”,
que se encaminhava, com seus óculos escuros e bengala,até a entrada destinada
aos portadores de deficiências que tinham direito, naquela época, não sei se
isso ainda continua assim, de entrar no estádio sem pagar ingresso. Todos
admiravam, mas não entendiam o porquê de Ceguinho ir ao estádio, provavelmente
ele adorava o calor e o barulho da torcida.
Grão teve a luminosa
ideia de se passar por Guia do Ceguinho, logo combinou tudo com o rapaz e
chegou à bilheteria. O bilheteiro indicou a passagem para Ceguinho e indicou a
roleta para o nosso figura, é aqui que a historia toma os contornos de
comedia...
- Pode se dirigir a
roleta e entregar seu ingresso rapaz.
- Rapaz?... Eu sou o
Guia do Ceguinho! Detesto futebol, e esse time de... deixa pra lá... eu não vou
pagar não, não to aqui pelo jogo, aliás esse joguinho mequetrefe... Não vou
pagar!!!
- Então não entra e
acabou! - disse o bilheteiro.
- Certo, certo! Você é
o responsável pelo Ceguinho agora, se ele rolar pela arquibancada, problema seu
e não meu, tô indo embora!
- Espera rapaz!
Espera! Vai entra lá, não quero ser responsável por nenhum acidente.
O Grão correu todo
feliz e pegou o Ceguinho pelo braço comemorando e agradecendo o favor, não
acreditava na sua sorte, enganou o bilheteiro mais chato do Morumba.
- Ceguinho onde você
quer que eu te deixe? Quer sentar em que lugar? Do lado da bateria para sentir
o sonzão?
E agora a surpresa, Ceguinho
dobrou a bengala, tirou os óculos e dando uma piscadela para o boquiaberto Grão
falou:
- Pode deixar, eu mesmo escolho o meu lugar!
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